Tatiana Barbosa Ferrari - Terapeuta Ocupacional

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

AUTISMO E ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO


As crianças com autismo possuem um grande desajuste comportamental o que as levam a uma desordem e com isso muitas vezes mascarando um grande potencial. O acompanhamento terapêutico tanto domiciliar quanto escolar tenta trazer uma ordem para este problema. Promovendo ações que possam desenvolver uma rotina na qual a criança possa prever o que vai acontecer e desta maneira sentir-se menos ansiosa com o que lhe for apresentado.
Tanto no acompanhamento domiciliar quanto no escolar o profissional precisa estabelecer um vínculo com a criança e com a família para que possa obter um resultado positivo.
Para Williams & Wright (2008), citador por Duarte9, “É de extrema importância auxiliar crianças e jovens a melhorar o desenvolvimento de aptidões sociais, para que
estes possam sentir-se mais à vontade em um mundo que é, em grande parte, social”, isso quer dizer que a ajuda precoce pode reduzir o risco de isolamentos e comportamentos repetitivos. Em consonância, Ellis (2001)9 apoia a intervenção precoce a favor do desenvolvimento do autista, pois é finalidade é que esses indivíduos atinjam sua total independência. Apesar disso, é importante saber que em muitos momentos os autistas precisarão se desligar do mundo social, considerando que para eles, essa quantidade de estímulos torna-se muito mais delicada.
Ao AT cabe desenvolver essas aptidões do indivíduo e estimulá-lo. A intenção de se trabalhar com esses indivíduos é pelo fato de fazê-los conhecer o mundo que fica fora de suas barreiras. Para isso, o convívio fora de instituições e com outras pessoas é importante. Sabemos que uma simples mudança de ambiente pode provocar uma grande crise. Para tanto se deve estimular, conhecer novos ambientes respeitando os limites do paciente, mas também os tirando de sua zona de conforto. 9
O trabalho que o acompanhante terapêutico realiza é muito rico, e para isso precisam buscar alternativas e materiais diversos para motivar a criança a desenvolver suas habilidades, mas sempre levando em conta o interesse da criança para que se obtenha um resultado satisfatório.
Para Solé (2003), citada por Brito3:
A aprendizagem não envolve somente instrumentos intelectuais, mas também os aspectos de caráter emocionais e a capacidade de equilíbrio pessoal, ou seja, a representação que o sujeito faz da situação, as expectativas que geram seu autoconceito. Esses fatores são essenciais em uma situação desafiadora como é aprender, principalmente para essas crianças que já possuem um diagnóstico que indica uma dificuldade de aprendizagem.
Para Catania (1999, p. 77) citada por Brito³ “motivação não é uma força ou impulso especial a ser localizado em algum lugar dentro do organismo, e sim, um tempo ampliado a muitas variáveis orgânicas e ambientais, que tornam vários estímulos importantes em um organismo”, ou seja, as variáveis ambientais controlam o comportamento, o que torna ainda mais rico a presença de um profissional em meios a essas variáveis.
Para Nobre13, a importância do AT vai além disso tudo, afirmando que o fato de ter um AT em casa, pode superar alguns medo e ansiedades que um consultório tradicional pode gerar nos pacientes. Segundo Barreto (1997), citado por Baseggio¹:
O Acompanhamento Terapêutico é um procedimento clínico que busca potencializar essa dimensão simbólica do cotidiano de um sujeito, auxiliando-o a recuperar ou estabelecer aspectos, objetos, ações que o constituam e que o ajudem a se inscrever de uma forma simbólica na realidade compartilhada.
O autismo destaca-se pelas dificuldades de relacionamento com outas pessoas e a extrema dificuldade em situações sociais; A Terapia Ocupacional se encarrega das ocupações humanas avaliando fatores físicos e ambientais que são capazes de reduzir as habilidades de uma pessoa para participar de atividades da vida diárias, é possível perceber que essas duas práticas completam-se, sendo capaz de proporcionar uma melhor qualidade de vida para a criança autista.¹ De acordo com Baseggio¹:
A Terapia Ocupacional é uma disciplina da saúde que diz respeito a pessoas com diminuição, déficit ou incapacidade física ou mental, temporária ou permanente. O Terapeuta Ocupacional profissionalmente qualificado envolve o paciente em atividades destinadas a promover o restabelecimento e o máximo uso de suas funções com o propósito de ajudá-los a fazer frente às demandas de seu ambiente de trabalho, social, pessoal e a participar da vida em seu mais pleno sentido. Usa a ocupação para promover e manter a saúde, e prevenir ou remediar disfunções decorrentes de enfermidades ou incapacidades. Ocupação se refere a qualquer atividade ou tarefa necessária para o cuidado pessoal, produtividade, ou tempo livre. A ocupação é considerada essencial para a saúde.
Para crianças autistas, em um AT domiciliar, é importante reter um programa de atividades elaboras com a finalidade de tornar a pessoa o mais capaz possível em sua vida diária. “Mais especificamente servirá como um complemento da pratica terapêutica ocupacional, onde o TO trabalha visando todo o âmbito pessoal e relacional do paciente.”¹ O terapeuta ocupacional é capaz de tornar tudo isso ainda mais rico, com propostas cognitivas e comportamentais e buscando estratégias e atividades que possam capacitar essas crianças para que sejam capazes de atingir o maior grau de independência e autonomia possível dentro de suas capacidades.
                                                           CONCLUSÃO
Conclui-se através deste artigo de revisão bibliográfica como é vasta as características que são apresentadas pelas crianças com autismo e como as mesmas influenciam no cotidiano e desenvolvimento. O Acompanhamento terapêutico ainda é pouco estudado nesta área, porém, possui uma grande riqueza de detalhes que vem para agregar na formação destas crianças e quanto mais cedo iniciar este tipo de atendimento mais essas crianças são capazes de se desenvolver. O terapeuta ocupacional sendo um profissional que trabalha múltiplas áreas é também um profissional indicado para estar realizando esta atividade, que só vem a agregar e desenvolver.

Fonte: CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA OCUPACIONAL NO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO DE CRIANÇAS AUTISTAS; DANIELE CRISTINA GARBIN GONÇALVES**
FÁBIO RUSCH**
RAFAELA REGINA HARTELT***

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