Tatiana Barbosa Ferrari - Terapeuta Ocupacional

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sábado, 27 de agosto de 2011

A Terapia de Integração Sensorial: Aspectos Práticos



1. A aprendizagem depende da habilidade do indivíduo receber informações sensoriais do meio ambiente e dos movimentos de seu corpo, de processar e integrar essas informações no SNC e usá-las para planejar e organizar o comportamento.

2. Quando o indivíduo tem déficits no processamento e integração de informação provenientes do corpo e do ambiente, isso pode interferir na aprendizagem motora e também de conceitos.

3. Ao se dar oportunidade para obtenção de informação sensorial mais rica, dentro de um contexto de atividades significativas, promovemos o planejamento e organização de respostas adaptativas, que vão melhorar a habilidade do SNC de processar e integrar informação sensorial e, através desse processo, aumentar aprendizagem conceitual e motora.

Princípios Básicos da Terapia de Integração Sensorial

1. Participação ativa: nunca se força a criança a fazer uma atividade. A participação tem de ser espontânea.

2. Dirigida pela criança. A verdadeira arte da terapia está em conseguir atingir os objetivos sem impor atividades ou estruturar demais a sessão de terapia.

3. Tratamento individualizado. As necessidades específicas de cada criança têm de ser tomadas em consideração e revistas constantemente.

4. Atividade com objetivo: a sessão de IS nunca é composta de exercícios para se aprender uma habilidade; as atividades acontecem dentro de um contexto.

5. Necessidade de resposta adaptativa: Bundy fala no “desafio na medida certa” (Just right).

6. O estimulo varia de acordo com a resposta da criança; deve haver uma constante reorganização do plano da sessão em função da necessidade da criança naquele momento.

7. Foco no ambiente, pensar em maneiras de “alimentar” os sistemas nervoso e emocional da criança via organização do ambiente. Motivar e dar liberdade para explorar.

8. Atividade ricas em estímulos proprioceptivos e vestibular: esses dois componentes são considerados fundamentais para caracterizar tratamento com base em IS.

9. A terapia tem o objetivo implícito ou declarado de melhorar processamento e organização das sensações (não ensinar uma habilidade específica).

10. A observação é seu melhor guia – observar atentamente a criança, suas atividades preferidas e padrão de resposta a certos estímulos ou situações.

11. Lembrar: a terapia só faz sentido quando os sinais de disfunção de integração sensorial tem impacto no desempenho funcional diário da criança. O plano de tratamento e relatório evolutivo devem sempre refletir ganhos funcionais que se espera obter com terapia.

12. Apesar da ênfase na intervenção direta, não se deve desconsiderar os efeitos da intervenção indireta e consultoria com pais e professores, que vão expandir os efeitos da trabalho realizado individualmente com a criança ( = nova forma de “ver” a criança).

13. Esse tipo de tratamento só deve ser administrado por terapeuta com treinamento adicional na área.

O que guia a sessão de terapia é o postulado que “podemos facilitar o desempenho do SNC (e consequentemente as bases da aprendizagem motora ou acadêmica) dando ao cliente oportunidades para receber informação sensorial enriquecida no contexto da participação ativa.”
Koomar e Bundy, descrevem de maneira perfeita o que é o trabalho do terapeuta:

“ Quando o cliente entra na sala de terapia, precisamos estar preparados de uma variedade de maneiras ao mesmo tempo. Imediatamente entramos em um “diálogo” com o cliente durante o qual ouvimos, observamos e comunicamos. Aprendemos sobre a prontidão do cliente para começar a sessão e o estado de seu SNC. Estabelecemos uma interação “lúdica” em que tecemos a confiança do cliente através de sinais que asseguram que não se exigirá mais do que ele pode dar. Colaboramos com o cliente para criar atividades que tocam sua motivação interna para explorar e dominar e que promovem auto-direção e crescimento. Habilmente ajustamos as atividades de modo que promovem o desafio “Just right” e facilitamos o fluir de uma atividade para outra conforme a sessão progride. Esta é a arte da terapia, que depende em grande parte de nossa experiência clínica e treinamento, nossa habilidade de observação e comunicação, além de intuição. Também criamos uma sequência de atividades que a) refletem logicamente a teoria de integração sensorial, b) as necessidades do cliente e c) facilitam a aquisição dos objetivos. Esta é a ciência da terapia. Deriva-se de nossa compreensão da teoria de integração sensorial e nosso conhecimento de como a teoria se aplica a esse cliente em particular.”
Fonte: Lívia Magalhães e Heloíza Goodrich (apostila)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Risco de autismo entre irmãos é maior do que se pensava

O risco entre meninos é maior do que entre meninas.
 E as chances são 32% maiores se a criança tiver mais de um irmão com autismo
Criança isolada autismo
Irmãos mais novos de crianças com autismo têm uma maior 
probabilidade de serem diagnosticados com a doença do que se acreditava até agora.
 É o que indica um estudo publicado no periódico científico Pediatricsnesta 
segunda-feira.
 De acordo com a pesquisa, 19% dos irmãos mais novos desenvolveram a doença, 
enquanto as estimativas anteriores variavam entre 3% e 10%.
Se houver duas crianças com a doença na família, o risco de o terceiro irmão
 desenvolver autismo sobe para 32%, segundo os resultados do estudo.
 A pesquisa mostrou que crianças do sexo masculino que tinham um irmão mais velho
 com autismo tinham três vezes mais chances de ter a doença do que bebês
 do sexo feminino
 (26% em comparação com 9%).
O estudo não demonstrou aumento do risco ao associar o sexo do filho mais velho,
a gravidade dos sintomas da primeira criança com autismo ou ainda caracterísitcas
 da família,
como idade dos pais, situação sócio-econômica e raça.
Partiticparam do estudo 664 crianças de 12 estados americanos e candenses,
 avaliadas desde os seis meses de idade até os 36 meses. A pesquisa é considerada
 a mais completa já realizada, uma vez que foi baseada em métodos padrão-ouro de
diagnóstico e avaliações realizadas por pesquisadores especializados – ao contrário
de estudos anteriores, que foram baseados em critérios diagnósitos menos confiáveis.
De acordo com os pesquisadores, os resultados sugerem que os pediatras devem
ter um olhar atento aos irmãos de crianças diagnotícadas com autismo. Isso porque,
 com intervenções precoces, os sintomas dessas crianças podem ser reduzidos
 ao mínimo.
"Os resultados enfatizam a importância do histórico familiar como um fator de risco
 para o autismo. Por isso, requer atenção por parte dos pais e médicos no
 acompanhamento
 dessas crianças desde cedo para determinar se o irmão mais novo poderá
 desenvolver
autismo ou algum distúrbio de desenvolvimento", disse Alycia Halladay, diretora de
 pesquisa de ciências ambientais da organização Autism Speaks.
O autismo é um transtorno neurobiológico complexo, que inibe a habilidade
 de comunicação
 e de desenvolver relações sociais. Em geral, a doença vem acompanhada de desafios comportamentais. Ela é diagnosticada em uma a cada 110 crianças nos Estados Unidos.



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Curso de Autismo e Inclusão

A Prefeitura de Espírito Santo do Pinhal proporcionou a seus educadores (professores e auxiliares) um curso sobre Autismo e Inclusão.

O curso ocorreu durante dois sábados (30/07 e 06/08) e foi ministrado por profissionais do Pró- Auti Carolina Luzia Sellin Sandroni (Pedagoga em Educação Especial) e Tatiana Barbosa Ferrari (Terapeuta Ocupacional).

No primeiro dia foi apresentado o Transtorno do Espectro Autista e suas implicações e o segundo foi abordado a inclusão dessas crianças em escolas regulares.

Foram dois dias bastante produtivos, com possibilidades de discussões de casos e participações efetivas dos educadores.

Pudemos contar com a presença da secretária da educação Lourdes Carradori Zucherato e com as participações das coordenadoras do departamento de Educação da cidade.

Frente as devolutivas podemos afirmar que foi uma ótima oportunidade de  reciclagem desses educadores.
Parabenizamos o departamento pela iniciativa!


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Autismo infantil: Principais sintomas que os pais podem detectar em uma criança autista


Principais sintomas da criança autista. Características que facilitam detectar uma criança autista
A maioria dos lactentes e crianças jovens são criaturas muito sociais que precisam e querem contato com os outros para prosperar e crescer.
As crianças normalmente sorriem, abraçam, riem, e respondem ansiosamente nas brincadeiras e diante de brinquedos.
Ocasionalmente, no entanto, uma criança não interage dessa maneira esperada.
Em vez disso, a criança parece existir em seu próprio mundo, um lugar
com caracterizadas por rotinas repetitivas, olhar estranho e comportamentos peculiares, apresenta problemas na comunicação, e uma total falta de consciência social ou interesse pelos outros. Estas são características de um transtorno do desenvolvimento chamado autismo.
O autismo é geralmente identificado no momento em que uma criança tem um pouco mais de dois anos de idade.
É muitas vezes descoberto quando os pais ficam preocupados que seus filhos possam ser surdo, ou que ainda não está falando, crianças que resiste a um afago, e evita interação com as outras pessoas.
Alguns dos primeiros sinais e sintomas que sugerem uma criança pode precisar de avaliação mais aprofundada para o autismo incluem:
1. não sorrir já com seis meses de idade
2. não interage indo pra frente ou para trás diante de estímulos visuais ou sons, mostrando interação com gestos ou movimentos faciais de aceitação já com 9 meses de idade
3. Não balbucia ou tentam falar mesmo já tendo 12 meses
4. Não expressam verbalmente com palavras já com 16 meses de idade
5. Não falam mais do que 2 palavras já com dois anos de idade
6. Apresentam regressão de desenvolvimento, mesmo já estando apto a esta fase, por exemplo, regridem na fala, na comunicação gestual, nomeação de objetos e pessoas, etc.
7. Não apresentam habilidades sociais na interação com outras crianças
Uma criança em idade pré-escolar com autismo “clássico” é geralmente retirado ou isolada da classe, e passa a não responder a outras pessoas.
Muitas destas crianças nem mesmo fazem contato visual. Elas também podem se envolver em rituais repetitivos, interagindo apenas consigo mesma.
Apresentam comportamentos como se balançar, bater palmas, ou uma necessidade obsessiva de manter uma determinada ordem em brinquedos ou coisas.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O autismo de Temple Grandin

Ontem assisti um filme que aborda o tema “Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) – Autismo”. Fiquei pensando como a comunidade, principalmente a escolar, desconhece os diversos métodos de lidar com a criança portadora de autismo. O filme “Temple Grandin” mostra como o autismo guiou uma jovem americana ao brilhantismo no ramo da pecuária. É uma história real e fascinante.
Temple Grandin, nascida em 29/08/1947 em Boston, Massachusetts, e atualmente é  professora da Universidade Estatual do Colorado, onde ensina o comportamento animal. É  uma das grandes especialistas no manejo de animais para abate, fazendo projetos de matadouros que favorecem o bem estar animal. Ela recebeu seu Ph.D. em Ciência Animal da Universidade de Illinois e publicou livros como Thinking in Pictures.
É um grande defensora dos animais, especialmente dos explorados pela indústria do gado. Ela reformou matadouros e fazendas em todo os Estados Unidos em defesa de uma vida digna e morte sem sofrimento desnecessário dos animais. Considera que as medidas que contribuem para o animal, fazem da indústria uma exploração segura, eficiente e rentável. 


Temple nasceu autista e seu jeito peculiar de pensar, seu comportamento antissocial e agressivo, eram mal vistos por professores e colegas de escola na infância. Ela tinha dificuldade de aprender certas coisas, porque as coisas para ela seguiam uma lógica particular.  
O filme conta mostra a perspectiva de mundo conseguida através do autismo, como Temple via a realidade e as imagens em sua mente. A atriz Claire Danes ficou irreconhecível para encarnar Temple, recomendo que assista pela tremenda lição que Temple nos oferece sobre as riquezas que podem existir mesmo onde não estamos acostumados a enxergá-las.

UMA FRASE DO DO FILME FICOU GRAVADA EM MINHA MENTE, ELA DIZ QUE “É DIFERENTE DOS OUTROS, MAS NÃO INFERIOR”.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Autismo: a importância da inclusão escolar


Jornal do Brasil
O que realmente se pode chamar de inclusão? Será que a inserção de crianças com necessidades especiais, como as que se encontram no espectro autista, em escolas regulares já é suficiente para intitularmos este processo como tal? Infelizmente, muitas escolas que “aceitam” receber essas crianças com autismo em ensino regular  não realizam, de fato, a inclusão social e escolar.
São inúmeras as que ainda se recusam, afirmando que não há vagas ou que não têm o preparo necessário para acolhê-las e passam por cima da Lei da Inclusão. Quando essas crianças são matriculadas, na maioria das vezes não encontram na escola a estrutura suficiente, ou seja, um olhar que tenha como real prioridade permitir que elas explorem ao máximo suas potencialidades neste ambiente tão rico de experiência social.
É neste contexto e com este objetivo que entra em cena o mediador ou facilitador escolar. Seu papel é direcionado a possibilitar que o máximo de oportunidades sejam criadas e aproveitadas para que as crianças com necessidades especiais aprendam, não apenas o pedagógico, mas também o social. Assim, esse profissional tem como função mediar os conflitos e facilitar a comunicação entre a criança e seus colegas de sala e entre ela e os professores, ou seja, com o ambiente escolar como um todo. Seu papel não o é de tomar o lugar do professor, mas de permitir que seus ensinamentos sejam assimilados ao máximo pela criança, já que esta enfrenta barreiras que não fazem parte da vida de crianças sem o transtorno. 
Quando colocamos em ênfase o espectro autístico, podemos avaliar a importância do aprendizado das regras sociais, estas que são dominadas por crianças fora do espectro com muita naturalidade, de modo quase automático. Estas regras fazem parte do dia-a-dia de todos e nos mostra como o nosso mundo funciona. Qual ambiente seria mais propício para o treinamento dessas habilidades do que o escolar? É na escola onde a criança passa a maior parte do seu dia e é lá onde estão as maiores oportunidades de crescimento. 
Minha experiência com mediação escolar começou há seis anos, com L., diagnosticada aos 2 anos de idade com Síndrome de Asperger. Quando comecei a fazer este trabalho, ela tinha 6 anos e apresentava inúmeros problemas de comportamento, como episódios obsessivos-compulsivos, birras e muita resistência a seguir regras. Hoje, L. lê, escreve, brinca com as amigas no horário do recreio, faz canto lírico, além de muito dever de casa, provas como todas as crianças, mesmo que estas sejam adaptadas, pois sem adaptação curricular, não há inclusão verdadeira. Muito impulsiva, L. sempre teve dificuldades em esperar chegar a sua vez de participar em alguma atividade. Hoje, na maioria das vezes, L. levanta o dedo e espera... mesmo que às vezes tenha que apertar os lábios para não falar antes do tempo e interromper a professora ou algum amigo. Existem os dias em que a frustração é mais difícil de se agüentar. Apesar disso, a força de sua luta é inegável. Sem dúvida alguma, L. é uma semente com incrível potencial de crescimento. Com a ajuda de uma ponte, aquela água que é regada diariamente pode desabrochar numa linda rosa. Com a presença de uma mediadora escolar, muitas crianças do espectro autista podem, assim como L., aumentar imensamente suas possibilidades de sucesso na escola, que irá repercutir por toda sua vida. 
* Psicóloga Infantil, mestranda em Saúde Mental Infantil pela Unifesp e colaboradora da ONG "Autismo e Realidade" (www.autismoerealidade.or
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